Livro potiguar transforma vivências de terreiro em contos e imagens


O escritor, fotógrafo e pesquisador natalense Fábio de Oliveira lança, no próximo sábado (7), às 16h, o livro Gira do Povo da Rua: Contos e Fotografias, no Complexo Cultural Rampa. Com entrada gratuita, o evento reúne literatura, fotografia e ritual em uma homenagem às entidades Exu e Pombagira, figuras centrais das religiões afro-brasileiras e ainda cercadas por estigmas.

Publicada em 2025 pela editora Caule de Papiro, a obra é a terceira do autor e nasce de uma vivência que ultrapassa o campo artístico. Segundo Fábio, o projeto começou em 2019, quando foi convidado a registrar um toque dedicado a Exu Pimenta e Maria Padilha em um terreiro. “A fotografia foi, inicialmente, um convite além de um aspecto materializado, mas também espiritual. Foi a partir desse convite que, até hoje, faço parte do terreiro Ilé Alaketu Áse Ìyá Osun”, relata em entrevista à Agência Saiba Mais. A experiência transformou sua relação com a imagem e com a escrita, que passaram a atuar como ferramentas de afirmação cultural. “Faço dessas artes instrumentos para romper estereótipos disseminados pelo senso comum e pelas lógicas coloniais da religiosidade e cultura”, afirma.

O livro combina contos ficcionais com fotografias produzidas pelo próprio autor, além de imagens de Luciana Rocha e Fátima Rodrigues, registradas em contextos rituais. As narrativas percorrem encruzilhadas, giras e terreiros, acompanhando personagens atravessados por experiências espirituais e desafios cotidianos. Para Fábio, a literatura funciona como uma ponte entre mundos. “Os contos interligam narrativas e pessoas, apresentando o que muitos não enxergam e mostrando que quem vive esse contexto não está sozinho”, explica. Ele destaca que a obra dialoga diretamente com a proposta da Lei 11.645/08, que prevê o ensino das histórias e culturas afro-brasileiras e indígenas nas escolas. “Mesmo em 2026, ainda são poucas as obras que evocam elementos de nossas práticas culturais e religiosas. O livro busca fomentar a compreensão e o respeito a outras cosmopercepções para além da ocidental e colonial”, diz.

A fotografia ocupa um papel central nesse processo, não apenas como registro, mas como prática mediada por ética e pertencimento. Kimbandeiro, juremeiro e candomblecista, o autor explica que seu olhar é orientado pelo respeito aos fundamentos do terreiro. “Eu não posso apontar uma câmera para as entidades sem permissão, é preciso um diálogo, um acordo. Tenho compreensão das simbologias e sei o que pode ou não ser exposto, de modo que não viole os elementos sagrados. É um olhar que alguém de fora não teria”, afirma.


Além do conteúdo literário e visual, a publicação se destaca pela preocupação com acessibilidade. Por meio de QR Codes, o público poderá acessar audiodescrição das imagens, audiolivro e tradução em Libras. “A proposta é possibilitar que todas as pessoas, em sua diversidade, tenham acesso tanto à leitura textual quanto à leitura imagética da obra. Pessoas surdas, ensurdecidas e com baixa visão podem ser contempladas pelas soluções audiovisuais que o projeto oferece”, explica o autor.

O lançamento contará ainda com um toque ritual em homenagem aos senhores e senhoras de preto e vermelho, conduzido pelo babalorixá e juremeiro Batista, do Ilé Alaketu Áse Ìyá Osun, além de uma feira com artesanato, biojoias, medicinas naturais e produções ligadas à cultura de terreiro. Contemplado pelo edital de fomento ao livro, leitura e literatura nº 13/2024 da Política Nacional Aldir Blanc, o projeto consolida o percurso de Fábio de Oliveira como um dos autores potiguares que articulam arte, espiritualidade e memória em uma mesma obra.




O livro combina contos ficcionais com fotografias produzidas pelo próprio autor, além de imagens de Luciana Rocha e Fátima Rodrigues, registradas em contextos rituais. As narrativas percorrem encruzilhadas, giras e terreiros, acompanhando personagens atravessados por experiências espirituais e desafios cotidianos. Para Fábio, a literatura funciona como uma ponte entre mundos. “Os contos interligam narrativas e pessoas, apresentando o que muitos não enxergam e mostrando que quem vive esse contexto não está sozinho”, explica. Ele destaca que a obra dialoga diretamente com a proposta da Lei 11.645/08, que prevê o ensino das histórias e culturas afro-brasileiras e indígenas nas escolas. “Mesmo em 2026, ainda são poucas as obras que evocam elementos de nossas práticas culturais e religiosas. O livro busca fomentar a compreensão e o respeito a outras cosmopercepções para além da ocidental e colonial”, diz.

A fotografia ocupa um papel central nesse processo, não apenas como registro, mas como prática mediada por ética e pertencimento. Kimbandeiro, juremeiro e candomblecista, o autor explica que seu olhar é orientado pelo respeito aos fundamentos do terreiro. “Eu não posso apontar uma câmera para as entidades sem permissão, é preciso um diálogo, um acordo. Tenho compreensão das simbologias e sei o que pode ou não ser exposto, de modo que não viole os elementos sagrados. É um olhar que alguém de fora não teria”, afirma.

Além do conteúdo literário e visual, a publicação se destaca pela preocupação com acessibilidade. Por meio de QR Codes, o público poderá acessar audiodescrição das imagens, audiolivro e tradução em Libras. “A proposta é possibilitar que todas as pessoas, em sua diversidade, tenham acesso tanto à leitura textual quanto à leitura imagética da obra. Pessoas surdas, ensurdecidas e com baixa visão podem ser contempladas pelas soluções audiovisuais que o projeto oferece”, explica o autor.

O lançamento contará ainda com um toque ritual em homenagem aos senhores e senhoras de preto e vermelho, conduzido pelo babalorixá e juremeiro Batista, do Ilé Alaketu Áse Ìyá Osun, além de uma feira com artesanato, biojoias, medicinas naturais e produções ligadas à cultura de terreiro. Contemplado pelo edital de fomento ao livro, leitura e literatura nº 13/2024 da Política Nacional Aldir Blanc, o projeto consolida o percurso de Fábio de Oliveira como um dos autores potiguares que articulam arte, espiritualidade e memória em uma mesma obra. 

Fonte: Saiba mais

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